entre um canavial e outro…

Sou natural de Igarapava, então nas idas para lá sempre circulo na região, por exemplo um lugar que sempre passo é na zona rural de Buritizal, uma cidadezinha vizinha bem boa de se viver, com ruas largas e limpas e política séria de imigração, o que garante uma boa qualidade de vida para os moradores. Também com bons trechos de mata que imagino ser secundária, (ou capoeirão?) ainda me perco com as nomenclaturas.

Em Maio/2013 estive por lá e sempre passo por uma estrada de terra que corta caminho entre a Rod. Anhanguera e Buritizal, passando pela cachoeira Véu das Noivas. Nessa vez parei por lá na Estância que dá acesso a cachoeira.
Subi a trilha sonhando em ver o uirapuru-laranja que havia sido visualizada na região, mas estava uma manhã fria e calada, só consegui ouvir de longe o pula-pula e o canário-do-mato.
Enquanto descia para rumar para o Mato das Frutas em Igarapava vi um tucanuçu imóvel num mamoeiro e  me impressionei com a qualidade da réplica de tão imóvel que estava…mas ops! Se mexe?

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Fiquei um tempo apreciando o banquete e logo ele partiu, já fui na hora checar se as fotos acima tinham saído, mas peraí, ele pousou perto? E tem um colega? Sim, por enquanto a única vez que vi saíra-amarela e tucanuçu tão próximos assim, mas bem que pode ser que ainda vi pouco…de qualquer modo dá-lhe clique!

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Terminado o show da dupla cheguei mais perto do laguinho onde funciona o pesque-pague, comigo chegou um bando de periquito-rei para tomar água e se refrescar, fui fazendo fotos e me aproximando dos barulhentos:

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A luz do dia nublado que chegava no vale era bem macia proporcionando tons interessantes…contei uns 13 indivíduos que se revezavam nesse poleiro, que na verdade é um suporte para uma mangueira que hidrata o lago:

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Do outro lado do lago a seriema passou desconfiada mas não desapercebida:

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Por fim subi a serra passando por Buritizal para chegar em Igarapava, mais precisamente no Bar do Canoa, que considero o melhor arroz com feijão de qualquer restaurante da cidade, parei no meio para tentar uma paisagem que se espremeu nos 70mm…(ou 112mm para os mais puristas):

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De barriga cheia e coração feliz após o arroz e feijão com bife acebolado rumei para o Mato das Frutas, propriedade que a família do meu amigo Carlos toma conta desde muito tempo e que é um dos lugares que mais gosto de estar na região, beira do Rio Grande, café quente e ainda muita fauna (considerando o estrago já feito na região).
Lá é possível estacionar bem próximo ao Rio Grande, que pelo efeito da barragem se alagou pelas terras da Fazenda, quando digo bem próximo estou dizendo no sentido literal mesmo:

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De cara o socó-boi deu o ar da graça num poleiro que ele costuma sempre estar, quem já ouviu esse bicho vocalizando entende o sobrenome “boi”:

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Aí é só passear pela margem do rio e se esbaldar com as aves do lugar, onde um pasto grande se mistura com brejo, além de ilhas de matas…para quem está começando a fotografar aves um verdadeiro paraíso! Fico muito feliz de ver algumas espécies bacanas num lugar tão judiado pelo desmatamento. Como todo o planalto da região de Ribeirão Preto o estrago ali foi grande. Contudo virar para uma moita e dar de cara com esse cadinho de canário é animador:

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Hoje ainda me impressiono com a quantidade de aves, mas na época o espanto era maior ainda…quando vi essa figura abaixo fiquei contente que só vendo, tem alguns bandinhos vivendo muito bem ali e pelo que percebi estão o ano inteiro na atividade pela área. Bicho de coloração linda, no caso um indivíduo macho:

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Graveteiro também no pedaço:

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Outra bem comum no local é o coleiro-do-brejo, ave que chama a atenção pela beleza e pelo canto, como a maioria dos comedores de semente, gostaria muito de saber o nome dessa moita espinhosa para deixar a postagem mais redonda, mas não vai ser dessa vez:

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Choca-barrada “ribeirinha”:

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Fui para um outro lado da propriedade e gostei muito de uma pequena área pela vegetação do lugar, que me lembrou muito campo sujo de cerrado, um canário-do-campo (que na época não sabia que era um canário-do-campo) rodava por ali, me senti “o explorador” meio que indo agachado perto dele, hoje vejo que fui um pouco sem-noção, afinal no lugar tem várias cobras peçonhentas:

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E no fim da tarde aquela tentativa do pôr-do-sol, os troncos que são ponto de parada de vários aves rapinantes e aquáticas continuam para a esquerda da foto, o que possibilita variadas composições.

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No outro dia cedo voltei para o lugar, porem acabei mais papeando na fazenda do que fotografando, mas queria pegar mesmo era a neblina que cobre o pasto na beira do rio, mais ou menos como na foto abaixo:

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Falando em teias:

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Quase hora do almoço, lembrei do amigo Newton Faria que havia visto um pica-pau diferente em sua fazenda, como era caminho de volta não foi esforço nenhum parar por lá, ainda mais que não precisamos andar muito para ver o pica-pau-de-topete-vermelho e toda sua elegância:

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Mas a hora estava apertando e 400 km de estrada me esperavam…foi o tempo de fotografar e voltar para Ituverava, almoçar com família e amargar os sete pedágios de lá até Campinas. Mas sem essa de terminar com lamento, foi e sempre será um prazer fotografar naquela região e de quebra estar com família.

E claro, fica o agradecimento para o Carlos e família, pessoal querido e hospitaleiro que por inúmeras vezes liberaram a “chave da porteira”…e espero (esperamos) poder registrar muitas aves ainda nessa região, que embora tenha sido muito castigada ainda guarda alguns heróis da resistência.

 

 

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2 respostas

  1. Gostei muito da sua observação e “captura” dos pássaros, li uma vez que fotografar animais selvagens é como uma caçada do bem, temos que observar, esperar, e ser muito intuitiva para dar o click, pois pode ser nossa única chance de captar aquele momento. Fotografar os animais na natureza pode significar muitas horas de espera por um único e maravilhoso momento. Conhecer um pouco dos hábitos dos bichos também ajuda. Suas fotos estão muito linda.

    1. É bem isso mesmo Ana Paula! Por isso quando a foto dá certa tem um valor tão especial! Pois normalmente não é nada fácil conseguir fazer os registros! 😀
      Muito obrigada pelo comentário! Valeu mesmo!

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Chris Dornellas

Chris é fotógrafa e publicitária e entre uma coisa e outra também cuida desse blog. Quando não está na frente do computador se aventura para algum meio de mato, atrás de novas fotos e histórias. Devoradora de bons livros e chocolate meio amargo, também aprecia uma boa prosa e novas amizades.

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